sábado, 7 de agosto de 2010

-Tudo bem então, vamos conversar.
Nisso olhou então profundamente e diretamente nos olhos dele e o instigou com mais um olhar.
Escutou-se o coração dele parar por 1 segundo, como que em um soluço.
-Você gosta de outra pessoa?
-Porque me perguntas isso?
Mais uma vez silêncio. Dessa vez era porque ele tem um jeito de pensar quieto, só depois que se põe a falar.
-Porque você esta diferente comigo.
Olhou fixamente e disse :
-O cara que conhecestes e, que era louco por ti não existe mais. Depois de dois foras levados, temos de crescer obrigatoriamente. Confesso, eu não mudei, e também confesso que ainda gosto de ti; mas agora eu sou uma versão atualizada do que fui. Subtrai o que me prejudicava e adicionei o que percebi que iria me fazer bem. Não vou lacrimejar agora e nem quando estiver em casa depois de tê-lo visto; mesmo ainda gostando de ti.
-Porque você é tão radical?
-Porque sou intenso no que sou. Seja para mais e me esforço para que não no menos. Não quero tua amizade como prêmio de consolação. Ou eu tenho ou eu não tenho. Fui educado assim, com a dor da conformação. Julgue-me como queiras, mas eu sei o que se passa em minha cabeça e infelizmente eu sei como o mundo realmente é.
Lhe extendeu a mão, logo colocou seus óculos escuros, deu um sorriso e continuou a andar na direcão oposta.

O outro então não conseguiu tirá-lo mais da cabeça.









HuG

domingo, 25 de julho de 2010

Mesmo tendo sido privado da vida de alguém;
agradeço os sentimentos sentidos. Ainda sentidos.
Ainda serão sentidos.








HuG

quarta-feira, 9 de junho de 2010

E esta cidade te testa todos os limites, de tempo, paciência e disposição.
Na cercania de onde eu morava, sempre encontrava um tempo para retratar o que se passava comigo. Por ser uma cercania, quase sempre estava na mesma situação, risos. Sinto falta de lá.
Aqui se estoura uma bomba a cada quinze minutos. Seja sobre o amigo, seja sobre o amante, seja sobre o amado.
Não temo em dizer que tenho o que pedi.
Essa confusão com meus sentimentos, essa alucinação/fantasia para com algumas expectativas que sempre serão desleais, mas sempre serão uma espécie de exercício para que eu esteja preparado para o que vier.
O dia dos namorados chega e mais uma vez me dou conta de que apenas é uma data comercial. Um dia para se vender mais tudo que seja vermelho, rosa ou em formatos arredondados.
Seja dia doze, treze ou quatorze, é apenas uma data. É apenas um dia a mais.
Não que eu esteja amargo por não ter a quem presentear nesse dia. Eu vou.
Eu vou me presentear.
Me presentearei com três comprimidos de Rivotril.
Não partilho dessa política de ter de depender de dias pré-fixados pela mídia ou pela história para fazer ou não as coisas.
Meu dia dos namorados é todo dia. Assim como para mim o aniversário, o dia do amigo e o dia das mães.
Sinto para os que precisam de trezentos e sessenta e cinco dias para presentear alguém e finalmente lhe dizer que gosta; eu não.
Faço isso todo dia.
Farei isso todo dia, quando tiver alguém só meu.
Quando tiver alguém que me queria de verdade,
e que me peça para manter segredo o 'nós'
porque se o segredo é mais gostoso
há a possibilidade de ficarmos melhores ainda.
Então me pedirá para ficar do lado,
em cima e atrás.
E que não precisará pedir para ficar na mente pois,
isso estará escrito nas paredes, nos carros que passarão.
Então o único gesto, simples e antigo
de tomar a mão do outro para atravessar a rua
ou o corredor
me fará finalmente um cara sorridente.

Um devaneio. Me desculpe.



HuG

sexta-feira, 12 de março de 2010

Aí, aqui

A mesma água fria que ouriçou teu mamilo cai agora em forma de chuva e embala o meu sono.