quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Aqui jaz parte de mim.


A minha meta era continuar a escrever ineterruptamente o meu romance. Digo um romance porque não sei mesmo quantos capítulos terá. Mas o que em minha vida que eu continuo? Tudo em mim é interminável. Enfim, não caindo muito para a auto-difamação, o motivo real desse post é o tal saudosismo que estou tendo. Criei esse blog por 2 motivos, o 1º por minha melhor amiga ter pedido a mim, e o segundo, por eu estar morando só em outra cidade, então como forma de desabafo, escreveria aqui. Funcionou bastante. Eram e são crônicas verdadeiras e cotidianas. Escrevo para desabafar, não com a esperança de que leiam isso e me mandem uma sugestão ou um elogio. Na verdade me sinto mais confortável assim.
Depois de 10 meses morando só em outra cidade, por motivos financeiros(coloco a culpa neles para ressaltar a minha enorme vontade de ficar aqui), retorno a Macapá. É incrível, eu não consigo, ou não me permito por isso na cabeça, e exatamente nessa madrugada, depois de tomar mais de 7 comprimidos para corisa e febre, não consigo imaginar passando o fim de semana, ou um feriado prolongado, ou sem minhas caminhadas de sexta-feira pela Marquês de Herval.
Tanta coisa simples eu fazia que vão ficar guardadas em mim como tesouros. A ingênua sensação de morar só, de ser responsável será a chave do baú onde guardarei todas essas lembranças.
Pra mim, saudades são o tipo de sentimentos mais sinceros que o próprio amor. Não dá para serem ocultados, ou fingidos... você simplesmente se pega triste, e depois de imaginar todo o imaginável, se dá conta da última opção. Saudades.
A experiência de ter morado só me fez crescer, me sinto mais centrado por saber como sou e o que quero. E descobri que quero viver a minha vida. Não sou aquele tipo de carinha de amizades espontâneas, minha timidez não permite que eu sorria para as paredes, mas sou sociável, e as pessoas que conheço, geralmente não perdem o contato comigo. Hoje tive uma surpresa, depois de ter acordado da minha febre, resolvi ir a farmácia. Ao abrir a porta, um bilhete cai aos meus pés, um amigo havia supostamente vindo me visitar, mas como supostamente eu não estava, ele deixou o bilhete. Não nos falamos há mais de 3 meses, mas ele se lembrou de mim. Pra mim despedidas são como morte. Já vi muito em filmes, e presenciar... uma ou duas vezes. A comparação se deve pela coincidência das pessoas. Amigos, familiares e até ex-namorados reaparecem do nada para uma simples visitinha. Ligações e mensagens mandado lembranças... essas coisas.
No fundo sei que a culpa foi minha. Sim. Eu poderia sim continuar aqui, mas eu não consigo mais persistir, insistir... sozinho é mais difícil, e eu admito isso não como um perdedor, mas um carinha que tentou e conseguiu um dos maiores presentes que a vida poderia ter dado aos seus poucos 18 anos, o reconhecimento não dos outros, mas da família, que já me tem como membro adulto.
Enfim, pensei em fazer uma crônica bem criativa, ressaltando o que mais sentiria falta aqui, mas saudades e os remédios me deixaram seco. Saudades de Belém e da anika, que há anos não mais nos falamos.
Aqui me despeço como o blog de um carinha de 18 anos, morando só em Belém do Pará. Ficarei um tempo sem postar pois terei de cuidar da mudança e também mais um fim de ano me preparando psicologicamente para o vestibular. O que me anima, é que pelo menos vou viajar em janeiro e em julho. Aproveitando o assunto, sorte pro Arnon.


HuG

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

V

Tentar enxergar a tal linha imaginária tornava o andar mais complicado ainda. Uma tequila para cada e cervejas(sabe-se lá quantas) até a hora de sair tinham batizado a todos... Resolveram não pedir a ajuda de Carlos e tomaram um táxi qualquer... Pararam em frente a boate da noite passada, mas resolveram seguir.
-Topa seguir-nos, Algustus?
- com vocês!
Talvez Louis tenha escutado o que tanto queria ouvir... Pelo menos o sorriso daquela hora demonstrava isso...
Sussurrou algo ao pé do ouvido do motorista e o táxi mudou de rumo, mas indo a um destino certo.
Enfim parado... passou por vários carros estacionados... Levaram quinze minutos para chegaram na frente da boate. A filá tripla já estava virando quádrupla.
Marrice e Claude não deixaram Algustus sequer tirar a carteira...
Na frente da boate sem nome... quer dizer, havia uma sigla de três letras. Devia ser boa, pois havia muitas pessoas em frente, todas olhando os quatro rapazes com muita atenção.
Marrice cochichou para Loius que logo disse para ele não se preocupar...
O assunto era que logo a frente, estavam pedindo identificação, e Algustus era o único que era de menor idade.
Marrice, Claude; Loius comprou duas entradas. Até ai tudo bem...
Na hora de entrar, ao pé do ouvido de Algustus, Louis disse;
-Confia em mim?
-Claro... porque a pergunta?
-Nunca faria nada pra te fazer mal...
Dito isso, a vez de Algustus entrar... fora pedido documentos, o então porre parece ter sumido de repente
"droga, será que vou estragar a noite dos meninos... porra..."
Antes da ação, um aperto de leve na cintura de Algustus...
-Ele está comigo!
Louis disse o agarrando pela cintura e o trazendo para perto de si.
Já não se sentia confortável... quer dizer, sabia que aquela tática era para desviar a atenção do segurança e então não pedir a documentação de Algustus... mas pelo fato dos fatos passados...
passados não... fatos recentes, Algustus já não tinha certeza das intenções daquela situação...
E a essas horas... o álcool já havia evaporado por suspiros profundos e suor gelado.
-Sua documentação senhor( dito a Louis)
-Aqui...
Depois disso, dentro da boate os dois esperavam por Algustus e Louis.
Louis não parecia e estar bem.
Era para Algustus estar aparentando algo de diferente, mas se sentiu na orbrigação de perguntar.
-O que houve?
-Algustus me desculpe... eu pude sentir o quanto você ficou desconcertado com a minha atitude... a última coisa que eu queria era deixar-te constrangido...
-Ta tudo bem.
E então sorriu para Louis.
-Mesmo? Olha, se você não quiser mais a minha amizade, eu vou entender...
-Vocês de Paris são sempre assim tão... tão...
As palavras faltaram, mas sorrisos as substituíram no momento certo.
-Vamos dançar.
Let Me Think About It de Ida Corr tocava na pista agitada... Uma batida que fazia o coração bater no ritmo.
Com as garrafas em mãos, se dirigiram ao meio da pista... estava quente... estavam suando... mas o som estava bom.
A luz que cegava junto com o laser que deixava os movimentos de todos como em câmera lenta, empolgavam todos ainda mais...
Algustus como já havia perdido o porre, resolveu olha em volta o ambiente...
Logo atrás, um homem sem camisa com um penteado moicano dançava... Achou irreverente, no mínimo diferente... Só até quando contou uns 5 dançarinos ao todo na boate. Havia um palco, e também homens e mulheres se beijando. Homens sem camisa mostrando seu enormes corpos... Era uma boate gay.
Por um momento perdeu o ritmo da música em seus pés. Noutro, sentiu-se excitado, por fazer algo que... pode ser considerado proibido... Louis o observava com um sorriso no rosto.
-Então você descobriu?
-Que isso é uma boate gay... acho que sim...
-(risos)Essa boate é uma das melhores do país... terceira no ranking, pelos deejays que se apresentam aqui e pelas músicas... Fica tranquilo, você tá comigo...
-Taabom.
Electric Junkies e um esbarrão do cara de olhos azuis em Algustus...
passou o encarando junto com um sorriso...
Algustus riu e Louis bufou de raiva.
-O que foi? Isso é engraçado pra mim... quer dizer, acabei de ser assediado com os olhos...
-Não gostei do jeito que ele te olhou.
-E lá vamos nós!( Marrice para Claude)
-Calma, ele só me olhou, ciumes?
Algustus nem se dava conta do poder das palavras que dizia...
-Vem Louis, vem dançar comigo... essa música é muito legal...
Micromania... a batida pedia um balanço em cima e em baixo... fora a letra que é extremamente pornográfica...
O cabelo de Louis era um pouco grande, o suor já o estava deixando húmido...
Watch Out os embalaram até altas horas da madrugada...
O calor e o cansaço de uma madrugada dançante sem paradas o fizeram sair as 5 e pouco da madrugada...
Algustus se assustou ao ver a hora, Louis e os outros logo se preocuparam se ele teria horário para chegar, mas ele só havia se espantado com a rapidez... estava tudo tão legal...
-E então Algustus, Louis disse que você já veio aqui...
-Eu? como assim?
Louis ficou sem graça, mas isso foi depois do beliscão em Marrice.
-Desculpas Algustus, é que eles queriam uma certeza de que o lugar não seria como se diz aqui, uma "roubada"... eu já havia pesquisado e tinha certeza que seria bom...
-Na próxima vez me avise antes...
Louis olhou para baixo com vergonha, mas levou um beliscão de Algustus e tudo ficou bem novamente...
Ainda com uns cigarros, tomaram um táxi e se arriscaram em uma aventura as cinco e meia da manhã...
Foram até a frente da cidade que era banhada pelo mar e assistiram ao nascer do sol...
A brisa gelada com um ponto de luz no horizonte parecia pedir um abraço ou qualquer demonstração de carinho próxima naquele momento. Pedia pele com pele, boca com boca...
Marrice e Claude se distanciaram para lavar os pés no mar...
-O bom de viajar é a incerteza...
-Porque diz isso?
-Ah, quem poderia me dizer que em outro país poderia encontrar pessoa tão legal quanto você...
Quer dizer, você é totalmente imprevisível, indecifrável... e eu, extremamente curioso e persistente... Acho que encontrei um parceiro...
Algustus riu contente...
-Eu não tenho um amigo, como constumam dizer, um " melhor amigo"... sempre fui solitário, o que eu sei e o que eu sou, aprendi só...
-Que triste Algustus, mas eu estou aqui...
-Que bom ...
-E posso te ensinar algo? Para que não mais se esqueça de mim?
-Tah...
-É uma atitude parisiense... um costume...
-Tah me deixando com medo...
Então Louis pegou Algustus pelos rosto, o aproximou e beijou a sua testa...
-Na minha família, beijamos os entes queridos na testa, para demonstrar que o queremos sempre por perto e bem... por isso, sempre que passarmos um tempo sem nos vermos, e quando nos revermos, beijarei tua testa como prova de que te quero sempre bem e perto de mim.
Aquilo o emocionou... anestesiado nem sei se é o termo exato para oque ele sentia. O sol iluminava um sorriso talvez nunca dado por Algustus... O brilho em seus olhos cor de mel( pela luz os castanhos viraram mel) olhavam Louis com um carinho bastante especial, até que se destraiu com um casal de senhores que estavam passando pela orla praticando corrida.
-Bem, é hora de irmos... mas nos veremos pela tarde, lembra... quero conhecer o teu lugar predileto...
-Claro, quando eu acordar eu ligarei para você.
-Não, eu ligarei.
Sorrisos trocados, um táxi tomado... a brisa ainda era gelada quando rumo a casa de Algustus, falavam e riam sobre a noite passada.
Dessa vez, Algustus fora mais rápido e conseguiu pagar a sua parte da corrida que por ser tarde, era bandeira dois. Despediu-se de Marrice e Claude. Louis desceu do carro e o abraçou.
-Até mais tarde?
-Até!
O carro se afastava e Algustus já não sabia mais o que pensar... Em frente ao espelho percebera o sorriso bobo que carregava em sua face. Porque? A sensação de ter uma pessoa próxima, a presença e o fato de pensar em Louis o fazia querer contar os seus segredos mais íntimos... uma sensação de confiança extrema...
-Acho que ganhei um melhor amigo.



segunda-feira, 22 de outubro de 2007

IV

O gosto fermetado terminou de acordá-lo. A aparência não entregava, visto que tudo estava fechado e ele estava em uma escuridão só, mas o relógio acusava as 16h da tarde. Algustus descobrira pela prática o quanto o álcool resseca o corpo, atravessando a casa cambaleante atraz de água. Viu que aquela morrinha só passaria com um belo banho. Dessa vez uma ducha fria. A respiração e os batimentos aceleravam mais. A água que escorria pelo seu corpo, trazia as lembranças da noite passada, de como havia entrado na boate, da sensação do drink de Loius nas costas... Loius... "será que ele vai ligar?". Essa dúvida não chegou a perturba-lo, mas renderam longos minutos de água pelo ralo.
Enrrolado a toalha na cintura, com os cabelos molhados desceu até a cozinha. Já havia repudiado oficilamente a comida congelada, mas esse era um caso raro, visto que era nele que o estômago insistia em fazer-se presente.

Sentado no sofá com as pernas abertas, Algustus sorriu adimitindo que a fantasia garal dos homens é comer sem roupa assistindo televisão.
Após a refeição não tão saudável, lembrara subtamente que Cassandra poderia ligar, então subiu as escadas para pegar o seu celular. Na volta. o colocou sob a mesa e deitou-se no sofá agora assistindo um documentário sobre a mitologia grega. Algustus gostava muito das histórias, a complexidade das histórias o faziam crer que aquilo existiu um dia. "Segundo a mitologia grega, as almas gêmeas existiam desde os tempos em que Vênus e Eros criaram o amor e a harmonia.
Tudo começou no Olimpo ha muitos milênios atrás, quando a civilização era habitada por seres míticos, que possuiam quatro braços, quatro pernas, duas cabeças, dois troncos, sendo um feminino e outro masculino, masculino e masculino, feminino e feminino, mas com apenas uma alma, rica em harmonia e amor.
Os Deuses, com inveja da "sintonia" entre almas dos míticos, ficaram enfurecidos e assim começou uma grande batalha. Utilizaram como armas uma duradoura chuva com trovões e relâmpagos. Vênus e Eros tentaram impedir esta guerra, mas não obtiveram sucesso. Os relâmpagos atingiam os seres de uma forma brutal, separando os corpos em dois e também suas almas ao meio.
Nesta confusão, estes corpos foram arrastados pelas águas, e assim se perderam uns dos outros, ficando sozinhos mas sobrevivendo. Foram dois dias e duas noites de fúria dos deuses, e ao término da batalha, cada ser separado iniciou a busca de sua outra metade, a sua "Alma Gêmea
".

O intervalo o possibilitou de mudar a posição da cabeça. Olhava distante ao pensar no que ele ouviu. Pensava como o mundo seria mais simples se as pessoas entendessem. Pensava enquanto seu olhos lentamente iam se fechando...
Um zumbido tornava-se frequente até conseguir despertar Algustus que dormia...
Se deu conta de que era o celular poucos segundos antes da ligação se perder...
Tomou o celular meio que sem vontade, pensando que fosse Cassandra. Uma voz grave do outro lado da linha.
-Algustus?
-Sim.
-Ser Louis. Como está? Encomodo?
-Não, não... tô bem... e você?
-Bem, você estava dormindo?
-Tava, não. Tava só cochilando. Pensei que não ias ligar.
-Só estava bêbado. Podemos sair hoje? Não conheço a cidade direiro.
-Eu também não Louis...
-Ótimo, serão dois com em único golpe. As nove?
-Estarei pronto.
-Au revoir.
-Tchau.
Deito-se novamente. Aquilo tudo estava sendo novo, quer dizer, Algustus era tímido mas era sociável, falava, comprimentava todos quando necessário e tinha uma amizade com Fábio e Diogo, mas sair pela noite e fazer uma amizade tão expontânea assim lhe causava um pouco de frio na barriga. E isso era bom. Era um fim de tarde mas era de um verão... o calor o fizera suar. Passava a mão no peito úmido enquanto olhava as suas pernas, a toalha já não cobria mais nada.
Olhava seu corpo nú. Algustus já havia tido o seu primeiro beijo, com a prima de Diogo aos 14 anos, mas ainda era virgem.
Nessa besteira de cochilo e de sonhar acordado já se passaram algumas horas e num súbto despertar Algustus subiu para tomar um banho e se trocar.
Louis era parisiense. Tinha 18 anos e fazia faculdade de jornalismo. Era um loiro de um metro e oitenta e cinco de altura. Um corpo moldado pela diária hipertrofia provocada pelas horas na academia. Tinha olhos de um verde como vidro corado, com alguns raios cor de mel, como um crisântemo com as pétalas mais longas e finas. Sua barba vinha até o pescoço e era de um ruivo gracioso. Por isso a mantinha cerrada ou bem feita. Seu nariz era aquilino. Em uma pensão, com o supervisor de seu curso e mais vinte alunos, Loius estava hospedado. Havia tido sorte pois Marrice e Claude puderam vir nesse intercâmbio com ele. Eram inseparáveis. Não amigos, cúmplices, Marrice deixava isso bem claro. Sempre riam disso.
Louis não havia dito que o supervisor havia deixado claro que se eles saisses, teriam de voltar antes da meia-noite. Ele faria como na noite passada, pediria cobertura para uma das camareiras que não via como dizer não a aqueles belos rapazes, um loiro, outro com cabelos negros e um com a pela amorenada, todos europeus.
As 21h Louis ligou para Algustus e eles se encontraram então na praça central da cidade. Estava tudo movimentado, lembrando de que era a noite de um sábado. Foram feitas as apresentações, risos a parte. Como Algustus também não conhecia a noite, resolveu pedia ajuda novamente a Carlos, o motorista da noite passada.
-15 minutos. Tudo bem?
-Claro.
Trocados alguns olhares, Marrice e Claude foram procurar cigarros. Logo perto havia um daqueles bancos de praça perto de um poste com a luz desligada. Como só o que iluminava era a meia luz dos postes próximos, tudo se resumia a uma leve penumbra. Quase de tom sépia.
Sentados, Louis e Algustus, o último olhou para o lado depois de um tempo, e viu sendo olhado fixamente.
-O que foi, meu rosto está sujo?
-Não, Algustus, apesar da pouca luz, o teu rosto tem uma claridade própria. Seria impossível de tirar uma foto legivel agora aqui, mas posso ver cada sombreado do teu rosto... Desculpas, faço jornalismo e aprendi a desenvolver o meu senso crítico.
Algustus ficara tímido.
-Pelo menos foi uma crítica boa.
Um singelo sorriso.
-Pensei que tivesse de dar bebida a você para que pudesse ver novamente o teu sorriso.
O sorriso se abriu de vez.
-Amanhã você estará ocupado?
-Não. não. Tô de férias.
-Ótimo. Preciso que me leve ao seu lugar predileto. Quero tirar umas fotos.
-Como sabes se tenho um lugar assim?
-Sinseridade...(então Loius aproximou o rosto do de Algustus de modo que o último mantesse um movimento quase vibratório de seus olhos em direção a sua boca e aos seus olhos o deixando em uma dúvida insuportável...) alguém com um sorriso dessa beleza pode ter qualquer coisa, e não me adimiraria se tivesse um mundo só seu.
Algustus virou o rosto envergonhado. Seu coração batia tão forte que não disfarçou a mão no peito para tentar abafar o barulho que para ele era ensurdecedor.
-Tem um lugar que gosto de ir, fica em uma...
Então Louis pôs na frente dos lábios de algustus, quase tocando, seus dois dedos... A respiração de algustus era quente...
-Não diga. Confio em você.
Claude gritou e então os dois se levantaram rumo ao carro. Pensava em tudo o que havia acontecido. Isso agora começava a perturba-lo. Estava tudo sendo muito intenso, como o mês de outubro era para ele. Pensava em ir embora
-Você quer?
Louis havia lhe oferecido pastinhas. Ele aceitou e pôs na boca.
Olhou para Louis que logo lhe respondeu com um sorriso. As balas eram cítricas, pra ser mais preciso, de laranjas. Se esse era um tipo de sinal para que ele não fosse, havia funcionado.
Algustus fora na frente. Conversaram e resolveram ir para um bar até que pudesse ser tarde o bastante para se ir a uma boate. Louis queria dançar novamente.
Na mesa para quatro, uma rodada de tequila para celar as surpresas da vida.
Descia rasgando em Algustus, e todos riram ao vê-lo se abanar por efeito do 1° estágio da bebida. Ficara sem graça, então Louis pusera o braço em seus ombros.
-Está tudo bem.
Se era a bebida ou não, não importava. Se sentia protegido. A sensação calorosa que os três e o próprio ambiente lhe causava era boa demais para ser desperdiçada por medos de incertezas.
O bar Lumina trazia uma decoração diferenciada. Em vez de luzes no teto, cada mesa (de muitas) tinha uma própria luminária em forma de bola que emanava uma fuz fosca, que pendia de longos fios que vinham do teto. As luminárias ficavam a um metro da mesa, dando calor ao clima na mesa, fazendo Algustus se soltar.
A fumaça iluminada e Portishead em surround envolviam a mesa. Podia-se imaginar muitas coisas, assitindo ao balé que a brisa a obrigava dançar. Algustus não gostava de cigarros, na verdade não gostava dos de Cassandra, o qual cada baforada vinha carregada de tudo, menos de coisas boas; bem diferente daquela fumaça na mesa, que trazia calor, risos e mais risos.
Na brincadeira de cada um falar um pouco de si, Claude e Marrice se puseram a frente da responsabilidade de apresentar Algustus a sua própria cidade.
-Acredite Algustus, não é uma de minhas van filosofias alcoólicas...
-Acredite Algustus, ele é bom nessa última ciência...
Louis o interrompeu dando pausa para gargalhadas...
-Enfim... costumo dizer que o dia tem suas belezas, mas se prestares atenção, a luz que nos ilumina é tão distante... traz histórias tristes daqueles que tentaram alcança-la... já a noite (Claude tocou a iluminária com a mão) ela se faz presente e tão próxima como se quisesse ser tocada...
Marrice puxou palmas e no fim todos riram.
Uma, duas três horas se passaram. Podiam até ficar ali, mas tinha-se muito a acontecer. Palavras de Louis depois de olhar Marrice, Claude e por fim Algustus.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

III

A bebida diurético o fizera sentir vontade de ir ao banheiro. Olhou para frente e viu dois bonequinhos, um rosa e um azul(ambos com chifres, vale ressaltar) que lhe indicavam o caminho. Olhar aquela pista cheia de cima não o motivava nenhum pouco, visto que se não fosse a dor na bexiga, deixaria para depois. Com a garrafa pela metade na mão, seguiu em direção as escadas. Estava tonto, mas tivera a certeza de que uma música já havia passado e ele somente estava no meio da pista. Era difícil passar, e não era o único a enfrentar o sufoco de uma bexiga apertada. Um homem barrigudo, daqueles que exibe as esposas, namoradas, putas seja lá o que sejam, se emputeceu(puta, emputeceu... enfim!) e empurrara um rapaz que segurava um drink. Para a sorte desastrada de Algustus, aquela bebida escorria por suas costas quentes. Estava gelada, mas para as costas dele, pareciam punhais a rasgarem-na. Se contorcera e fizera uma cara de dor.
-Pardon! Je suis vraiment désolé. Desculpe-me!
O pobre rapaz parecia ter assumido a culpa dele por estar com aquele drink e do barrigudo por ter nascido ignorante. Franziu a testa e olhara Algustus como se assumisse a culpa de todos naquela boate seja lá por quais motivos. Algustus deixara pra lá. Não por estar bêbado, mas sabia que aquilo fazia parte. Poderia ter a expressão fechada, mas Algustus era todo pacífico.
-Tá tudo bem. Relaxa.
Aquela agonia gelada só almentava a sua vontade de urinar. Chegara a lagrimar quando terminou. O alívio quase lhe fizera suspirar, mas Algustus o deteve. A mancha molhada já não ardia mais. Já estava um pouco suado, então não faria tanta diferença agora.
De frente para o espelho e enxugando as mãos, Algustus não pode deixar de reparar no forte sotaque do loiro que insistia em se desculpar pela bebida.
-Você veio aqui só para se desculpar?
-Sim.
-Se merecias um castigo, já o tiveras enfrentando essa multidão de gente.
Riram. Estendeu a mão e se apresentara como Louis.
Perguntara mais duas vezes se estaria mesmo bem antes de Algustus voltar para o camarote. Olhou para trás e levantara o polegar em resposta a aquele olhar preocupado. E lá se afastava a mancha nas costas de Algustus, se perdendo pela multidão.
Abriu mais uma cerveja se lembrando do episódio recente. E arriscara uma gargalhada solítária ao ver que havia um banheiro vip há menos de três metros de sua mesa.
Já eram três e vinte e dois e a pista agora começava, vagarosamente a esvaziar. Seu balde já era quase todo água. As garrafas vazias formavam uma fileira na mesa.
-Mais uma e eu vou embora.
Algustus se referia a música. Logo se deu conta que a batida trazia consigo "One more time" do Daft Punk, banda que ele tanto gostava. Fechou os olhos e, participou da dublagem coletiva.
A noite não poderia ter sido melhor, ou se sim, o álcool o impedia de ter imaginado como.
Terminada, como prometido, Algustus ruma em direção a escada. Um pouco difícil de ir até a saída, não por estar lotada, mas é que caminhar cruzando as pernas, torna-se uma tarefa para experiêntes.
A noite resfriara a brisa mesmo sendo início de verão.
Pegou o celular, e coçando a cabeça, tentava encontrar o número do motorista na agenda
-Posso ajudar-te?
Uma voz grave ditou isso por cima do seu ombro. Disfarçando o arrepio, virou-se rapidamente e vira que era Louis.
-E ai guri? Tudo bem?
-Tudo. E com você?
-Ainda.
O sorriso de Louis o lembrara do episódio, e a então tontura fizera rir do que havia acontecido, contagiando Louis.
Louis reclamara de cansaço, então Algustus o convidou para sentar-se ao seu lado em um canteiro do outro lado da rua. Enquanto na batalha para encontrar o numero do taxista, a conversa se desenrolava facilmente. Quando não era Louis, Algustus mesmo puxava assunto, e ambos não reparavam no tempo que passava.
-Perdoe-me, mas creio estar te segurando aqui... Não se sinta preso, podes ir quando quiseres.
-Não cara, imagina. tentando achar o número do motorista, mas tá difícil.
Algustus ao ter puxado o jeans para sentar, não reparou no que o seu bolso havia cuspido. A penas uma ponta de um papel que fora visto por Louis.
- Não seria isso aqui?
-Nossa, que pateta que eu sou. E tava procurando há um tempão na agenda!
-Pateta, não!
-Desculpa perguntar, mas de onde és?
-O sotaque entrega-me?
-Também, mas o que mais chamou a atenção é que falas muito certinho...
-Paris. Participo de um intercâmbio escolar. Em meu colégio, os alunos que falam alguma língua fluentemente, tem o direito de visitar o país de origem.
-Ah, legal. Então tenho até o fim do intercâmbio para te ensinar a falar errado como eu.
Algustus não fazia a mínima idéia de onde saíra tanta espontaneidade. Poderia até ser pelo álcool, mas que o estava ajudando bastante estava, pois além de prolongar a conversa, provocava sorrisos a toa em Louis, que se não fosse pela noite, Algustus teria a certeza de que tratava de um reflexo do sol.
A chegada do motorista trazia junto a lembrança do seu nome, e também o término da conversa que passava de uma hora. Louis guardava o seu número, e um longo abraço (Louis também havia bebido) encerrava a despedida.
Entrara no carro. Louis acendera um cigarro. Agora Louis, a fumaça de seu Marlboro e a boate ficavam para trás.
Algustus não pensava em nada, somente sentia a gostosa brisa gelada em seu ser.
Estava do jeito que imaginara. Do jeito que queria.
-Era um amigo seu?
-Hã? Ah! Sim. Sei lá... Ele derramou bebida em mim e tava se desculpando.
Carlos olhara Algustus por uns segundos a mais pelo morcego do carro. Viu que passava a mão na cabeça tentando enxergar as oras... Sua tentativa foi em vão então resolveu encostar a cabeça que agora estava toda descabelada.
Sorriu e voltou a sua atenção a rua.
Carlos esperou dentro do carro Algustus entrar.
Passara pela porta. Ligara o alarme. Checou as fechaduras e subira as escadas.
Ao cochilar, babuciou o nome de Louis por 3 vezes.
As roupas ficaram aos pés da cama, onde Algustus dormia um sono merecido.