domingo, 3 de abril de 2011

Dia cinza. A garoa caindo junto com a temperatura me fazem ficar pensativo; não só pelo clima mas pelas coisas que acontecem. Confesso ter vergonha, um pouco de orgulho masculino em não me abrir para outra pessoa e invés disso relatar em meu papel e caneta. É egoísmo reconhecido pela humanidade se tu te levas em consideração quanto ao outro, ou seja, é egoísmo te ter como exemplo do que é certo ou do que seria o certo a fazer. Mas é mesmo? Culpa subjetiva é o teor deste desabafo. Mero desabafo. Mas pontos importantes precisam ser discutidos como as sensações. Eu, este aqui que vos escreve sempre se pôs no lugar alheio; sempre pisou em ovos com todos que estão ao seu redor e principalmente se importou em fazer diversas reavaliações de conceitos para que tais atitudes resultantes mais não prejudiquem do que beneficiem outrem. Talvez na mesma proporção mesmo. Uma grande proporção. Mas não cobro isso de ninguém. Quando se gosta tudo vem de bom grado e o melhor, institivamente. Quando se gosta, poemas fluem em torpedos, palavras demonstram destreza em declarações por entre conversas e o desejo de agradar talvez sobressaia o de ser agradado. Afinal de contas agradando eu me sinto agradado. Mas é pouco, certo? Não é? Reciprocidade é verbete trava-lÍnguas mas mais fundamental como pedra-base em um relacionamento à dois. Mas quem disse isso? Quem dissertou sobre isso? Onde estão os cientistas que provaram e comprovaram através de teses e experimentos e os fundamentou em livros? Não há referências bibliográficas. Não há certeza. Só se há certeza do gostar quando por vezes como esta te sente entristecido. HuG

domingo, 20 de março de 2011

Dos meus hábitos sou refém; sou escravo e devoto
das minhas manias que me definem erroneamente.
São pelos meus passos tortos que traço meu caminho reto.
Num súbito devaneio ao ler mais uma de minhas prediletas crônicas
Veio-me a mente um choque; um choque de realidade:
Se hoje sou frio, cético e em parte desacreditado,
é porque fora muito machucado, como couro curtido, cheio de calos.
Mas por vez me dei conta de que não posso ceder ao resultado da realidade
Não posso negar a minha equação mor. Não posso ser a resposta.
Eu sou a pergunta; e é isso que me faz um, e não mais um.

Minhas predileções são as mais robustas e amargas e tradicionais e piegas.
Fazê-las em um homem de vinte e poucos anos talvez seja o diferencial.
Sofro pelo o que quero e anseio, pois vejo que obstante está esse meu tal desejo
de ser grande mais que aparento ser.
Não sucumbir fácil ao óbvio e não ceder logo ao outro me torna mártir de mim; é meu martírio.

Ceder é permitir. Permitir é aceitar. Aceitar é abrir espaço para o viver.
Eu quero viver. Eu quero feliz ser.

Tenho-te do lado com medo confesso.
Admito medo porque humano de carne sou. Também.
Mas de repente me peguei em devaneio costumeiro
sorrindo do nada, para o nada;
o qual reconheço tê-lo somente quando estou bem.
E me vi defronte ao papel; novamente.





HuG

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

9

Dilong, que controla os rios e que consome a primavera no paraíso e o outono no mar, peço-te tua graça gravada de bom grado em minha pele.



HuG

sábado, 7 de agosto de 2010

-Tudo bem então, vamos conversar.
Nisso olhou então profundamente e diretamente nos olhos dele e o instigou com mais um olhar.
Escutou-se o coração dele parar por 1 segundo, como que em um soluço.
-Você gosta de outra pessoa?
-Porque me perguntas isso?
Mais uma vez silêncio. Dessa vez era porque ele tem um jeito de pensar quieto, só depois que se põe a falar.
-Porque você esta diferente comigo.
Olhou fixamente e disse :
-O cara que conhecestes e, que era louco por ti não existe mais. Depois de dois foras levados, temos de crescer obrigatoriamente. Confesso, eu não mudei, e também confesso que ainda gosto de ti; mas agora eu sou uma versão atualizada do que fui. Subtrai o que me prejudicava e adicionei o que percebi que iria me fazer bem. Não vou lacrimejar agora e nem quando estiver em casa depois de tê-lo visto; mesmo ainda gostando de ti.
-Porque você é tão radical?
-Porque sou intenso no que sou. Seja para mais e me esforço para que não no menos. Não quero tua amizade como prêmio de consolação. Ou eu tenho ou eu não tenho. Fui educado assim, com a dor da conformação. Julgue-me como queiras, mas eu sei o que se passa em minha cabeça e infelizmente eu sei como o mundo realmente é.
Lhe extendeu a mão, logo colocou seus óculos escuros, deu um sorriso e continuou a andar na direcão oposta.

O outro então não conseguiu tirá-lo mais da cabeça.









HuG